Aerobio em jejum é bom?

Ter, 10 de Janeiro de 2012 11:29 RCN
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Pergunta de uma aluno: “Eu ouvi dizer que fazer exercicio aerobio em jejum é bom pra emagrecer. Além disso, falaram que é bom tomar BCAA antes do exercicio. Voce pode esclarecer um pouco a respeito disso? Não seria prejudicial ao organismo, e nao corre o risco da pessoa ficar fraca durante o treino?”

 

Resposta: Um dos pontos mais controversos da Nutrição é o exercício em jejum. Pessoalmente, eu sou um defensor do exercício físico aeróbio em jejum quando o objetivo é somente perda de tecido adiposo.

Por quê?

Em situações normais, você passa por volta de 7 horas sem comer absolutamente nada durante o sono. Fisiologicamente, cria-se um quadro de níveis glicêmicos (glicose no sangue), de glicogênio hepático e muscular baixos. Nessas condições, o corpo está em um estado energético crítico. Como não há muita disponibilidade de carboidratos, o organismo começa a se utilizar de gordura para gerar energia.

Existem também explicações hormonais. A insulina e o GH (hormônio do crescimento) constumam se relacionar de maneira negativa, ou seja, quando os níveis de insulina estão elevados, os de GH estão baixos. Como dito anteriormente, a insulina regula os níveis de glicose no sangue, tendo papel de transportá-la para dentro das células. Já o GH tem um papel distinto: ele estimula o consumo de tecido adiposo e a manutenção da massa muscular.

Justamente ao acordar, existe então um quadro extremamente favorável para perder gordura: níveis de GH elevados – pela diminuição dos níveis de insulina e uma necessidade energética elevada, que será proveniente principalmente de gorduras.

O exercício físico aeróbio, portanto, torna-se muito benéfico nesse sentido, pois ao aumentar o gasto energético quando em jejum, há maior consumo (oxidação) de lipídios estocados no organismo. Obviamente, você não conseguirá manter a mesma performance quando alimentado. É por esse mesmo motivo que a atividade não deve ser demasiadamente intensa, com risco de haver picos hipoglicêmicos e até desmaio.

Com efeito, realizar atividades aeróbias a 60% da frequência cardíaca máxima, considerada moderada, em jejum, é uma excelente opção para aqueles que pretendem diminuir o percentual de gordura. Não exagere na intensidade do aeróbio.

Novamente, jamais realize treinos anaeróbios (de força, com pesos) em jejum. A demanda energética é muito mais súbita e intensa, havendo um risco muito maior de danos ao organismo. Lembre-se de que o exercício aeróbio em jejum deve ser utilizado exclusivamente para redução do tecido adiposo.

Ainda existe muita discussão acerca desse assunto, mas acredito que os motivos acima elencados respaldam bastante a minha opinião e a de muitos especialistas no assunto.

Em relação ao consumo de BCAAs antes do treino, eles servirão para evitar parte da fadiga mental sentida durante o treino, além de colaborar para manter um ambiente anabólico durante o treino. O problema é que, durante exercícios intensos, o anabolismo muscular é quase inexistente, predominando a proteólise (quebra) de proteínas não musculares. Assim, a função principal dos BCAAs no pré-treino está mais para retardar a fadiga mental.

Após o treino, existe a oportunidade de mudança do ambiente catabólico para o anabólico, dependendo dos nutrientes consumidos. Nessa situação, o consumo de BCAAs, principalmente a leucina, um de seus constituintes, colaborará bastante para o anabolismo muscular. Obviamente que se aliado ao consumo de outros aminoácidos e, sempre, de carboidratos.

Q: “Não sei se eu poderia fazer alguma pergunta a respeito de nutrição esportiva, mas se for possivel, qual deveria ser a alimentação para um transplantado de pâncreas/rim, querendo ganhar masssa muscular?”

A: Caro leitor, a sua pergunta é sempre bem-vinda, mas é necessário um maior aprofundamento na questão. Não é possível identificar, por exemplo, se o transplantado apresenta alguma deficiência funcional no órgão. Conhecer o histórico clínico é importante nessa situação.

Entretanto, vamos partir do pressuposto que o indivíduo apresenta certa deficiência funcional em ambos os órgãos. Consideramos então que há uma insuficiência renal (comprometimento da filtração glomerular, por exemplo).

Nesse caso, é importante primeiro conhecer a funcionalidade do órgão realizando exames clínicos de função renal, uréia e creatinina, entre outros. Recomendo a consulta em algum nefrologista para interpretação dos exames.

Normalmente, o comprometimento dos rins demanda uma maior atenção ao consumo de solutos, principalmente sódio e proteínas, por representarem uma sobrecarga na filtração glomerular (os glomérulos são as unidade funcionais de filtração dos rins).

O consumo de proteína por dia pode cair a níveis de até 0,8g/kg de peso, o que é péssimo para o ganho de massa, em virtualmente qualquer circunstância. O consumo de sódio também deve ser controlado, utilizando-se de uma dieta hipossódica, o que pode levar a prejuízos na absorção de alguns nutrientes (o sódio auxilia na absorção de várias substâncias).

Em geral, procura-se reduzir a pressão sanguínea, evitando assim uma sobrecarga de filtração renal. Existem medicamentos para reduzir a pressão, mas o consumo de arginina pode ajudar, por ser um vasodilatador. Em todo caso, é altamente recomendável procurar um médico para tratar do assunto.

No tocante ao pâncreas, é um órgão tão complexo que é necessário um melhor detalhamento do problema fisiológico que o acomete.


Última atualização em Ter, 10 de Janeiro de 2012 11:35

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